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Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional

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(Redirecionado de LIT)
Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional
(LIT-QI)
Fundação11 de janeiro de 1982 (44 anos)
Línguas oficiaisportuguês
espanhol
francês
inglês
árabe
russo
ucraniano
Fundador(a)Nahuel Moreno
WebsiteLIT-QI


A Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI) é uma das grandes correntes internacionais do trotskismo. Existe desde 1953, tendo como um dos seus principais organizadores e fundador o argentino Hugo Miguel Bressano Capacete, conhecido como Nahuel Moreno (1924-1987).

Antecedentes

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Conforme os documentos publicados pela própria organização,[1] esta corrente existe com diferentes nomes desde 1953. Surge em 1944 como um pequeno grupo dirigido por Nahuel Moreno, o GOM (Grupo Operário Marxista), na Argentina.

O objetivo central desta corrente em seus inícios era estruturar-se na fábricas tentando superar o caráter marginal e intelectual do movimento trotskista argentino. Descreve seus primeiros tempos como tendo um desvio obreirista, sectário e propagandista: não fazia trabalho entre os estudantes e o eixo da atividade era dar cursos sobre o Manifesto Comunista e outros textos clássicos. Entre 1944 e 1948 reconhece também um desvio nacionalista, em suas palavras "acreditar que havia solução para os problemas do movimento trotskista dentro de seu próprio país" (Un Breve Esbozo de la Historia de la LIT-CI). Apenas em 1948 começaria a participar na vida da IV Internacional, em seu Segundo Congresso. Segundo o mesmo documento (Esbozo, 2008): "A intervenção nas lutas operárias e na IV Internacional tornou possível a superação dos desvios e o fortalecimento do grupo".

Trabalho nas fábricas

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A participação, logo após a sua fundação (1945), nas grandes greves dos trabalhadores dos frigoríficos argentinos (principal categoria de trabalhadores da Argentina na ocasião) permite a adesão de todos os membros deste Comitê de Fábrica.

Dirige também os comitês de fábricas de tubos de cimento, de couro e até o clube de um bairro operário (Villa Pobladora). O partido argentino chegou a ser, junto com o Socialist Workers Party (EUA) criado diretamente sob a orientação de Trotsky, "o partido com maior influência operária do movimento trotskista (Esbozo, 2008)".

Fração Bolchevique e a LIT-QI

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Em 1953 houve uma grande cisão no seio da IV Internacional, provocada pelas divergências entre Michel Pablo e a maioria da direção da Internacional. Esta cisão havia sido realizada a partir da aprovação, em 1952, da teoria do entrismo sui generis nos Partidos Comunistas, pelo Partido Comunista Internacionalista, seção francesa da IV Internacional. Em 1963 Moreno participa da reunificação da Quarta Internacional.

Moreno participa da Quarta Internacional durante vários anos, desde sua reunificação em 1963. Tem muitos conflitos com outros agrupamentos que se reivindicavam do trotskismo na Argentina, principalmente com Juan R Posadas e com o ERP - Exército Revolucionário do Povo, por sua posição guerrilheira. A Quarta Internacional mantinha duas seções oficiais na Argentina: o PST - Partido Socialista dos Trabalhadores de Moreno, e o ERP, este último de orientação guerrilheira e guevarista, conforme orientação defendida por Ernest Mandel, maior dirigente do Secretariado Unificado da Quarta Internacional (pós-reunificação).

No fim dos anos 70 Moreno diverge de Mandel sobre o papel do sandinismo e o caráter da revolução na Nicarágua e funda a Fração Bolchevique. Os morenistas, como também se auto-denominavam os seguidores de Nahuel Moreno, constituíram uma brigada internacional, chamada brigada Simon Bolívar, a qual lutou junto aos sandinistas. Entretanto as brigadas de Moreno fundavam também sindicatos independentes do sandinismo. A FSLN impôs às brigadas que depusessem as armas, o que não foi acatado. A FSLN expulsar as brigadas do país e entregar seu membros ao governo ditatorial militar do Panamá. Mandel e a maioria da direção da Quarta Internacional defendiam que a Brigada tivesse se desarmado ou se incorporado à FSLN, conforme exigiam os sandinistas. Esta posição levou com que Moreno rompesse com o secretariado da Quarta Internacional e se separasse desta organização. Em seguida inicia-se uma aproximação com o grupo trotskista dirigido por Pierre Lambert, que será rompida com o apoio deste ao governo de Frente Popular de François Mitterand, em 1981.

Já em janeiro de 1982 realiza-se uma reunião internacional com os partidos da (Fração Bolchevique) (FB), junto com dois importantes dirigentes anteriormente ligados ao grupo de Pierre Lambert: Ricardo Napurí (Peru) e Alberto Franceschi (Venezuela). Um dos pontos centrais da reunião era organizar uma campanha em defesa da "honra revolucionária" de Ricardo Napurí, atacado moralmente por Lambert por expressar suas diferenças políticas. Outro grande ponto era como avançar na construção da Internacional.

Por unanimidade, depois de aprovada a campanha, esta reunião se converte na Conferência de Fundação de uma nova organização internacional. Aprovam-se então as Teses de Fundação e os Estatutos da "LIT-QI". A LIT-QI, segundo seus fundadores, não é somente a FB com outro nome, já que a ela também se integra Franceschi e seu partido, o MIR Proletário, que rompe com o lambertismo. Pouco depois Napurí se incorpora, junto com a metade do partido peruano, que também rompe com Lambert.

Em 1985, o partido dominicano se integra à LIT-QI. Esse grupo não vem do trotskismo, mas de uma ruptura de grupo de militantes ligados à Igreja Católica. Em 1987 se integram o grupo de Bill Hunter da Inglaterra, que não é de tradição morenista, e um grupo de jovens trotskistas independentes do Paraguai, que dão origem ao PT paraguaio, a maior organização de esquerda nesse país por vários anos.

Em 1985 o Manifesto da LIT-QI faz um chamado a "construir a FUR (Frente Única Revolucionária) a partir de um programa mínimo revolucionário para enfrentar a frente mundial do imperialismo, burguesias nacionais, igreja, stalinismo, castrismo, sandinismo e as burocracias sindicais". Em 2007 ocorre o congresso fundacional do Partido da Alternativa Comunista - Pd´AC da Itália, que solicita seu reconhecimento como seção italiana da LIT-QI.

XVI Congresso (2025)

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Em setembro de 2025, foi realizado em São Paulo o XVI Congresso da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI).[2][3] Entre os grupos internos organizados que participaram do congresso estava a Fração pela Defesa e Reconstrução da LIT-QI (FDR).[2][4] A delegação da fração incluía María Rivera, porta-voz da seção chilena e eleita para a Convenção Constituinte chilena de 2022,[5] e Altino Prazeres, candidato à prefeitura na Eleição municipal de São Paulo em 2024 pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).[2]

A fração alega ter sido expulsa no primeiro dia do congresso, dia 15 de setembro.[3][5] Em resposta, a seção chilena declarou que, “devido à expulsão de sua delegada, considera-se como expulsa toda a seção chilena da LIT-QI”.[5] Por sua vez, a direção majoritária da LIT-QI afirma que o congresso optou pela separação do grupo, e não por uma expulsão, após a Fração romper com o centralismo democrático. A direção argumenta que a fração “teve todo o espaço para disputar sua política na base”.[4]

Posteriormente, os membros da seção brasileira da LIT-QI que faziam parte da FDR, saídos do PSTU, impulsionaram no Brasil o Movimento por um Partido Revolucionário (MPR), cujo manifesto foi assinado por mais de 220 pessoas.[2]

A saída da FDR levou à cisão da Tendência Operária pela Unidade Principista da Internacional (TOUPI), que era composta pelas seções da Costa Rica, Partido de la Clase Trabajadora, e de El Salvador, Partido da Classe Trabalhadora, além de ativistas no Brasil, Argentina, Chile, Bélgica, França e Honduras. O grupo dissidente se reagrupou em uma nova corrente internacional, a Corrente Operária Revolucionária Internacional - Quarta Internacional (CORI-QI).[6][5][3] Esta nova organização se opôs à direção majoritária da LIT-QI e acusou o grupo da FDR de promover uma “guerra fratricida”. Militantes da CORI-QI em países sem seção fundaram novas organizações: na Argentina, a Voz Operaria Socialista, no Chile, a La Voz Obrera, e no Brasil, Voz Operária Socialista.[6][3]

Os membros do MPR, junto à seção chilena, MIT, o Grupo de Opinião da Argentina, o grupo Insurgência do Paraguai e a Corrente Operária dos Estados Unidos, formaram o Comitê Internacional pela Reconstrução da LIT de Nahuel Moreno (CIR).[7]

Membros, ex-membros e simpatizantes

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Seções oficiais[8]

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País Partido ou organização Sigla
 Argentina Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado PSTU
 Brasil Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado PSTU
 Colômbia Partido Socialista dos Trabalhadore PST
 Honduras Partido Socialista dos Trabalhadores PST
 Itália Partido da Alternativa Comunista PdAC
 Paraguai Partido dos Trabalhadores PT
 Peru Partido Socialista dos Trabalhadores PST
 Portugal Em Luta
 Espanha Corrente Vermelha

Seções simpatizantes[8]

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País Partido ou organização Sigla
 Bélgica Liga Comunista de Trabalhadores LCT
 Bolívia Luta Socialista LS
 Equador Articulação Revolucionária de Trabalhadores ART
 Índia Revolução dos Trabalhadores
 México Corrente Socialista dos Trabalhadores CST
 Panamá Liga de Trabalhadores para o Socialismo LTS
 Paquistão Mehnat Kash Tarik
 Rússia POI
 Turquia Kirmizi Gazete
 Senegal Liga Popular Senegalense LPS
 Reino Unido Liga Internacional Socialista ISL
 Estados Unidos Voz dos Trabalhadores
 Uruguai Esquerda Socialista dos Trabalhadores IST
 Venezuela Unidade Socialista dos Trabalhadores UST

Ex-membros

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País Partido ou organização Sigla Observações
 Costa Rica Partido da Classe Trabalhadora PT Parte da fração TOUPI do XVI Congresso (2025) que se reorganizou na CORI-QI.[6][5][3]
 El Salvador Partido da Classe Trabalhadora PCT Parte da fração TOUPI do XVI Congresso (2025) que se reorganizou na CORI-QI.[6][5][3]
 Chile Movimento Internacional de Trabalhadores MIT Parte da fração FDR do XVI Congresso (2025) que se reorganizou na CIR.[7]

Ver também

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Referências

  1. Un Breve Esbozo de la Historia de la LIT-CI
  2. a b c d «Manifesto pela construção de um partido revolucionário no Brasil – MPR». Movimento por um Partido Revolucionário. 18 de outubro de 2025. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025 
  3. a b c d e f Soler, Antonio (30 de novembro de 2025). «Crise e ruptura da LIT: uma corrente consumida pela inércia». Esquerda Web. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025 
  4. a b «Sobre as razões de uma separação no PSTU e na LIT-QI». Opinião Socialista. Direção Nacional do PSTU. 21 de setembro de 2025. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025 
  5. a b c d e f «Declaración de la Conferencia del MIT sobre la crisis de la LIT y nuestra expulsión de la Internacional». MIT. La Voz de los Trabajadores (em espanhol). 29 de setembro de 2025. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025 
  6. a b c d «Manifiesto Constitutivo De La Corriente Obrera Revolucionaria Internacional – Cuarta Internacional». Corriente Obrera Revolucionaria Internacional – Cuarta internacional (em espanhol). 9 de outubro de 2025. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025 
  7. a b «Manifiesto del Comité por la Reconstrucción (CIR)». MIT. La Voz de los Trabajadores (em espanhol). 2 de dezembro de 2025. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025 
  8. a b «Liga Internacional dos Trabalhadores». Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional. 13 de junho de 2025. Consultado em 19 de novembro de 2025 

Ligações externas

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