Fluxo de trabalho


Um fluxo de trabalho (do inglês workflow) é um termo genérico que designa padrões de atividade orquestrados e repetíveis, possibilitados pela organização sistemática de recursos em processos que transformam materiais, prestam serviços ou processam informação.[1] Pode ser representado como uma sequência de operações, o trabalho de uma pessoa ou grupo,[2] de uma organização, ou de um ou mais mecanismos simples ou complexos.
Numa perspetiva mais abstrata ou de nível superior, o fluxo de trabalho pode ser visto como uma representação do trabalho real.[3] O fluxo descrito pode referir-se a um documento, serviço ou produto que é transferido de uma etapa para outra.
Os fluxos de trabalho são considerados um dos blocos fundamentais da estrutura organizacional, combinando-se com outros elementos como tecnologia da informação, equipas, projetos e hierarquias.[4]
Desenvolvimento histórico
[editar | editar código]O conceito de fluxo de trabalho surgiu ao longo de várias épocas parcialmente sobrepostas.
Origens na manufatura
[editar | editar código]A história moderna dos fluxos de trabalho remonta a Frederick Winslow Taylor[5] e Henry Gantt, embora o termo “workflow” não fosse usado na época.[6] Uma das primeiras ocorrências do termo “work flow” aparece numa revista de engenharia ferroviária de 1921.[7]
Taylor e Gantt iniciaram o estudo da organização racional e deliberada do trabalho, sobretudo na manufatura, dando origem aos estudos de tempos e movimentos.[8] Conceitos relacionados incluem oficina de tarefas (job shops), oficina de fluxo (flow shops) e sistemas de filas (cadeias de Markov).[9]
Maturidade e crescimento
[editar | editar código]A invenção da máquina de escrever e da fotocopiadora ajudou a expandir o estudo da organização racional do trabalho dos pavilhões fabris para os escritórios. Surgiram sistemas sofisticados de gestão de fluxos de informação física. A teoria da otimização, a Segunda Guerra Mundial e o programa Apollo impulsionaram o aperfeiçoamento de processos.[10]
Era da qualidade
[editar | editar código]No pós-guerra, o trabalho de W. Edwards Deming e Joseph M. Juran levou ao foco na qualidade, primeiro no Japão e depois globalmente (gestão da qualidade total, Six Sigma, reengenharia de processos).[11]
Gestão de fluxos de trabalho
[editar | editar código]O termo “gestão de fluxos de trabalho” refere-se às tarefas associadas ao fluxo de informação ao longo da cadeia de valor, incluindo definição, análise e gestão.[12]
Sistemas de gestão de fluxos de trabalho
[editar | editar código]Um sistema de gestão de fluxos de trabalho (SGFT ou WfMS) é um sistema de software que permite configurar, executar e monitorizar uma sequência definida de processos e tarefas, com objetivos de aumentar a produtividade, reduzir custos e melhorar a troca de informação.[13] Pode ser centrado em processos ou em dados e representar o fluxo através de mapas gráficos.
Conceitos relacionados
[editar | editar código]O conceito de fluxo de trabalho está próximo de áreas como investigação operacional, inteligência artificial (planeamento), etnografia e gestão de processos de negócio.
Exemplos
[editar | editar código]- Em oficinas mecânicas, o percurso de uma peça pelas várias estações é um fluxo de trabalho.
- Processamento de sinistros de seguros é um fluxo intensivo em documentos.[14]
- Edição na Wikipédia pode ser modelada como fluxo estocástico.
- O método Getting Things Done é um modelo de fluxo pessoal.
- Em impressão offset/digital, o fluxo abrange todo o processo de pré-impressão e impressão.
- Em bioinformática, os fluxos científicos são frequentemente representados como grafo acíclico dirigido (DAG).
Características
[editar | editar código]Os fluxos de trabalho podem ser modelados com redes de Petri, medidos com métricas de investigação operacional (throughput, tempo de processamento) e analisados automaticamente para verificação de propriedades.
Teorias de melhoria de fluxos de trabalho
[editar | editar código]Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Business Process Management Center of Excellence Glossary» (PDF). 27 de outubro de 2009. Consultado em 31 de março de 2015 [ligação inativa]
- ↑ Ver, por exemplo, ISO 12052:2006, ISO.org
- ↑ Ver, por exemplo, ISO/TR 16044:2004, ISO.org
- ↑ «Work Flow Automation». Consultado em 31 de março de 2015. Arquivado do original em 7 de setembro de 2013
- ↑ Taylor, 1919
- ↑ Ngram Viewer
- ↑ Lawrence Saunders; S. R. Blundstone (1921). The Railway Engineer. [S.l.: s.n.]
- ↑ Michael Chatfield; Richard Vangermeersch (5 de fevereiro de 2014). The History of Accounting (RLE Accounting): An International Encyclopedia. [S.l.]: Routledge. pp. 269–. ISBN 978-1-134-67545-6
- ↑ Michael L. Pinedo (7 de janeiro de 2012). Scheduling: Theory, Algorithms, and Systems. [S.l.]: Springer. ISBN 978-1-4614-2361-4
- ↑ Smith, J.L. (julho de 2009). «The History of Modern Quality». PeoriaMagazines.com. Consultado em 20 de janeiro de 2018
- ↑ Michael Hammer; James Champy (13 de outubro de 2009). Reengineering the Corporation: Manifesto for Business Revolution, A. [S.l.]: HarperCollins. ISBN 978-0-06-180864-7
- ↑ Basu, A. e Kumar, A., Research Commentary: Workflow Management Issues in e-Business, Information Systems Research, vol. 13, nº 1, março de 2002, pp. 1-14.
- ↑ Elmagarmid, A.; Du, W. (2012). Workflow Management Systems and Interoperability. [S.l.]: Springer Science & Business Media. pp. 1–17. ISBN 9783642589089. Consultado em 18 de janeiro de 2018
- ↑ Havey, M. (2005). Essential Business Process Modeling. [S.l.]: O'Reilly Media, Inc. pp. 255–284. ISBN 9780596008437. Consultado em 18 de janeiro de 2018