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Fortaleza (arquitetura militar)

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(Redirecionado de Forte)
Fortaleza dos Cavaleiros, na Síria
Plano duma fortificação fortificada, obras exteriores e outros dispositivos de defesa e aproximação, 1728
Detalhes da fortaleza e das obras exteriores

Uma fortaleza (forte ou fortificação) (do latim fortis = forte ou facere = fazer) é uma estrutura arquitetônica militar projetada para a guerra defensiva. A humanidade vem erguendo este tipo de estruturas há milhares de anos, com uma variedade de desígnios crescentemente complexos.

Em termos técnicos, uma fortaleza é composta por duas ou mais baterias de artilharia, distribuídas em obras independentes, e com largo intervalo entre si. Por outro lado, um forte é composto de uma ou mais baterias na mesma obra. Algumas instalações militares são conhecidas como fortes, embora nem sempre sejam fortalecidos. A palavra fortificação também pode se referir à prática de melhorar a defesa de uma área com trabalhos de defensiva.

As estruturas de fortificação normalmente são divididas em duas categorias:

  • Fortificações permanentes - erguidas com todos os recursos que um Estado pode prover em termos de habilidade construtiva e mecânica, empregando materiais duradouros.
  • Fortificações de campanha (ou de campo) - erguidas no contexto de um combate ou de uma guerra, por tropas no campo, com o emprego de materiais locais que não exijam muita preparação, como terra apilhada, madeira de mato (faxina) etc.

Na segunda categoria ainda podem ser consideradas as fortificações semipermanentes, aquelas que, no curso de uma campanha, se tornam necessárias para proteger alguma localidade propiciando uma defesa permanente e que podem ser erguidas com o trabalho de civis e em pouco tempo.

Terminologia

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O conceito de fortificação apenas adquiriu a conotação de estrutura e preparação defensiva na Época Moderna. Anteriormente, o seu campo semântico era preenchido em latim pelo vocábulo munitio. No entanto, nas fontes a partir do século VI, as designações castra, castella, burgi e torres surgem com maior frequência para identificar locais fortificados[1]. Naquele período, a definição de cidade encontrava-se intrinsecamente ligada à existência de muralhas, facto visível, por exemplo, nos registos de Procópio.[2]

Evolução da Arquitetura Militar

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Estruturas defensivas e o simbolismo da polis

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Cidadela construída por Vauban em Saint-Martin-de-Ré.

As fortificações bizantinas configuraram-se, primordialmente, como cinturas amuralhadas urbanas que sofreram constantes reconfigurações fenotípicas em períodos subsequentes, operando frequentemente mediante o regime de spolia — o reaproveitamento de materiais de estruturas romanas precedentes. No Istmo de Corinto, subsistem os vestígios da muralha Hexamilion, erigida por édito do imperador Teodósio II no século V para sustar as incursões das hordas visigóticas e hunas. A proficiência defensiva desta estrutura, corroborada no reinado de Justiniano I, radicava na densidade das suas torres quadrangulares, cujo posicionamento estratégico viabilizava a intersecção de eixos de tiro flanqueante. [3]

Esta arquitetura imperial herdou a pragmática dos acampamentos militares da Ática, meticulosamente documentados por James R. McCredie. Sítios como Koroni e Patroklou Charax revelam o uso do epiteichismos — a fortificação de pontos estratégicos em território hostil — através de uma arquitetura de contingência. Nestes contextos, a complexidade manifestava-se na distinção entre a acrópole (centro logístico e de armazenamento) e as muralhas longas que selavam istmos, dotadas de torres apsidais cuja geometria visava a estabilidade estrutural e a deflexão de projéteis. [4]

Todavia, subjacente à pragmática da poliorcética, as cortinas amuralhadas encerravam dimensões religiosas e ontológicas em todos os períodos da Antiguidade. A delimitação do espaço urbano por um cinturão pétreo consagrava a jurisdição sob a tutela das divindades, simbolizando a autarquia da polis como uma entidade autónoma e segregada do seu hinterland. A arquitetura militar, compreendendo cortinas de muralhas, vãos de acesso e dispositivos avançados, constituía um dos mais monumentais empreendimentos do erário público. [5]

Neste contexto, a urbe de Antioquia Hippos (Sussita), na região da Decápole, afigura-se como um exemplar paradigmático para a exegese da transição defensiva no Levante. Prospecções sistemáticas revelaram que Hippos observou os cânones da fortificação helenística, tirando partido da proeminência orográfica do sítio. Durante a vigência bizantina, e com particular evidência a partir do ocaso do século IV, a cidade foi dotada de um novo aparato defensivo. Contudo, este sistema incorreu em obsolescência funcional na transição para o período Omíada, metamorfoseando-se num mero limite perimetral de natureza civil. [6]

O hábito de fortificar núcleos urbanos, áreas rurais ou pontos de elevado valor estratégico — um traço marcante da paisagem medieval — foi herdado das tradições gregas e romanas, tal como sucedeu com os princípios fundamentais das técnicas de engenharia militar]]. Nas regiões da Europa central e setentrional que permaneceram fora da influência direta de Roma, as fortificações preservaram, pelo menos até ao século X, métodos construtivos pré-romanos, caracterizados pelo uso de aterros de terra, estacarias de madeira ou muros de pedra seca.[7]

A partir do século III, em resposta aos sinais precoces de instabilidade no Império, iniciaram-se vastos projetos de construção ou reforço de perímetros urbanos e de linhas defensivas fronteiriças. Estas intervenções moldaram de forma permanente a fisionomia de cidades na Gália, na Península Ibérica, nas províncias do Danúbio e na própria Itália. Um exemplo notável é a nova cintura muralhada de Roma, iniciada pelo imperador Aureliano em 271. Estes projetos resultaram frequentemente na redução das áreas urbanas e caracterizaram-se pelo reaproveitamento de materiais de construção de edifícios anteriores (espólios) e pela integração de estruturas já existentes.[7]

As defesas urbanas apresentavam muralhas de espessura considerável, equipadas com portas principais e poternas (acessos secundários), além de torres salientes e elevadas dispostas a intervalos regulares. Estas estruturas eram interligadas por caminhos de ronda, protegidos por merlões, facilitando a movimentação célere das guarnições ao longo do perímetro, muitas vezes reforçado por fossos.[7]

A Fortaleza de Tal e o sistema de postos avançados

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Um elemento de capital importância escavado nas proximidades de Antioquia Hippos é a denominada Fortaleza de Tal. Esta estrutura retangular, com dimensões de 24 por 19 metros, ilustra a aplicação de postos avançados para a salvaguarda de eixos rodoviários vitais. A edificação apresenta um paramento de dupla face em alvenaria de silharia de basalto, caracterizada por um corte de pedra de exímia precisão (estereotomia), com o núcleo preenchido por uma mistura de terra e pedra miúda (emplecton). O portal setentrional destaca-se pelo apuro técnico das suas ombreiras, cujas superfícies polidas revelam um cuidado estético e funcional invulgar em estruturas de fronteira. [8]

A análise da estratigrafia funcional em Hippos revela que o baluarte — outrora uma posição de resistência no flanco meridional durante o Principado — foi desativado por volta do século III para dar lugar a programas de arquitetura termal. Esta mutação funcional documenta uma inflexão nas prioridades do urbanismo, onde o conforto e a magnificência civil (commoditas) se sobrepuseram à premência da segurança militar (securitas). Esta transição assemelha-se ao destino dos campos de McCredie que, após perderem a sua função de guarnição estratégica ptolemaica, foram frequentemente reocupados para fins agrícolas ou domésticos rudimentares.

O inventário analítico das muralhas de Hippos demonstra que a configuração topográfica do monte Sussita conferia uma invulnerabilidade natural, sendo a cidade rodeada por precipícios e vales profundos. As escarpas basálticas foram aproveitadas como paramentos naturais, reforçadas por uma aparelhagem regular (isódoma) em regime de perpianho (headers and stretchers). Este método assegurava a coesão estrutural através da alternância rítmica de blocos longitudinais e transversais, que "amarravam" a construção. [9]

O colapso definitivo destes sistemas no Oriente é indissociável de episódios de violência geológica. O sismo de 749 obliterou a vitalidade urbana de Hippos e o seu complexo defensivo, um fenómeno visível nas secções de basalto e estratos murários que colapsaram sobre as vertentes. Esta trajetória, do auge da engenharia militar (poliorcética) à ruína, é o fulcro da tese de Timothy E. Gregory sobre a transmutação das defesas da Antiguidade Tardia para os modelos medievais. [10]

Idade Média e o Castelo

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Na Europa Ocidental, o castrum romano e a fortaleza de colina foram os precursores diretos do castelo, que começou a afirmar-se como o elemento defensivo central do Império Carolíngio a partir do século IX. Durante a Alta Idade Média, a proliferação destas estruturas esteve ligada à fragmentação do poder central, um processo que o historiador Dominique Barthélemy associa à necessidade de proteção local contra incursões externas e conflitos senhoriais.[11] Inicialmente, muitas cidades dispunham apenas de muros simples ou valas associadas a paliçadas, seguindo o modelo do vallum romano.

Contudo, a partir do século XII, a fundação de novos centros urbanos, especialmente na Europa de Leste durante o período do Ostsiedlung, levou à construção de muralhas de tijolo e pedra com traçados regulares e fossos profundos. Estas fortificações medievais caracterizavam-se por uma tipologia de defesa vertical, utilizando muralhas de grande altura dotadas de ameias e merlões para proteção dos arqueiros, além de matacães ou caditóias, que eram aberturas no pavimento das galerias superiores destinadas ao lançamento de projéteis e substâncias sobre os sitiantes.[12] No final deste período, cidades como Nicósia e Chania foram fortificadas pela República de Veneza com muralhas que já evidenciavam a transição para a geometria moderna.

As fortificações medievais portuguesas, seguindo padrões semelhantes aos castelos de pedra europeus, apresentavam muralhas regulares ou poligonais, torres de menagem e cubelos, barbacãs e torres redondas (rondéis) destinadas ao flanqueamento. Embora a tradição defensiva medieval portuguesa privilegiassse muralhas elevadas e torres, desde o século XIV se verificaram experiências avançadas de adaptação à artilharia. O uso de barbacãs, muros baixos colocados externamente às muralhas principais, destinava-se a proteger o recinto contra assaltos diretos e, posteriormente, a mitigar o efeito do tiro rasante da artilharia inimiga. Exemplos iniciais datam de 1338, com a cava e barbacã das vilas do Crato e da Amieira, promovidas por D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Hospital. Durante o século XV, estas barreiras evoluíram para os primeiros baluartes prototípicos, sistemas angulares avançados concebidos para suportar o impacto da pirobalística.[13]

O Castelo de La Mota (1476-1483), em Medina del Campo, construído durante as guerras do rei de Portugal com os Reis Católicos, exemplifica a barreira artilheira de transição: um sistema articulado em torno de um 'baluarte' exento no meio do fosso, à maneira de um revelim moderno, que protegia a porta principal do tiro direto através de acessos desenfilados.[14] A atividade fortificadora neste período inclui projetos notáveis como o Castelo Artilheiro de Vila Viçosa, concebido com sete baluartes, quatro meio-baluartes, um revelim e quatro obras cornas, segundo Nicolau de Langres, engenheiro francês contratado por Portugal em 1644.[15]

Outras inovações incluíam a redução da altura das muralhas, o reforço de sua espessura e o desenvolvimento de torreões adossados e cubelos dotados de troneiras e canhoneiras, como documentado nos desenhos de Duarte de Armas, a mando de D. Manuel I, no início do século XVI. Exemplos fora do território continental, como o Castelo de La Mota (1476–1483), mostram a aplicação destes princípios, com baluartes isolados no fosso a proteger portas e articulação de níveis, antecipando soluções modernas de tiro flanqueante.[16]

A datação do forte em Larisa East para o início do século V a.C. baseia-se na análise de três critérios básicos de construção. Primeiro, a utilização da alvenaria do tipo lésbica, que apresenta uma execução fina com traços de bordas delineadas e marcas profundas de picaretas. Estas marcas cobrem a superfície dos blocos de forma homogénea, embora a profundidade dos furos varie conforme o golpe do pedreiro.

O segundo critério refere-se à estrutura das fundações. Em Larisa, era escolhido um leito de rocha sólida, apoiado por blocos de fundação sobre os quais assentava o toichobat (em grego: ὁ τοιχοβάτης). Esta camada de pedra, que servia de base para as partes visíveis das muralhas, era ligeiramente recuada em relação à fundação. O terceiro critério é o método de extração, onde os blocos eram separados das rochas naturais através da abertura de furos para cunhas, técnica cujos vestígios ainda são visíveis no local.[17]

A transição tardo-medieval

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Entre o modelo defensivo vertical herdado do castelo medieval e a consolidação da fortificação abaluartada de traçado italiano desenvolveu-se, sobretudo na viragem dos séculos XV para XVI, a fortificação pré-abaluartada. O espessamento maciço dos muros, o recurso a aterros interiores, a introdução de casamatas com bombardeiras no piso inferior, os dispositivos de tiro mergulhante sob as ameias e a generalização do fogo flanqueante denunciam já uma clara rutura com o sistema puramente medieval, ainda que sem o recurso a uma geometria plenamente racionalizada.[18]

Esta transição é aprofundada por Stephen C. Spiteri ao analisar o Castellu di la Chitati em Mdina. Spiteri explica que o termo castrum referia-se originalmente a campos militares romanos mas passou a descrever cidades muradas como Mdina (castrum civitatis malte). O castellum, por outro lado, representa o diminutivo de castrum e refere-se a um tipo de fortificação especializada. Em Mdina, o processo de retrenchment medieval abandonou a vasta enceinte (recinto) romana por um perímetro menor e mais defensável, um fenómeno comum no Mediterrâneo caracterizado pela contração urbana para garantir um comando visual estratégico e refúgio (fluchtorte).[19]

A cidade de Béjaïa, na Argélia, apresenta um exemplo notável de hibridismo entre sistemas construtivos medievais e intervenções espanholas do século XVI (1509). Estruturas como a Qasabah (Velha Cidadela) e o Bordj Moussa (Forte Imperial) utilizam sistemas de taipa com revestimentos de tijolo e pedra mista (Opus Mixtum), atingindo espessuras de até 4,40 metros para resistir a impactos de bala de canhão. A investigação de Naima Mahindad demonstra que a cal dolomítica utilizada nestas argamassas (rica em calcite até 61 por cento) era essencial para a resistência mecânica e química das estruturas costeiras.[20]

Embora a historiografia tradicional apontasse o cerco de Lisboa (1384) como o marco das barbacãs em Portugal, investigações recentes de João Gouveia Monteiro demonstram a existência de dispositivos deste género desde, pelo menos, 1338, nas vilas do Crato e da Amieira, por iniciativa de D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira. Estas 'barbacãs extensas' ou 'de porta' evoluíram para os anteparos que anulavam o tiro rasante da artilharia, conduzindo gradualmente à adoção do princípio dos baluartes.[21]

No contexto português, esta fase de transição assume particular significado durante o reinado de D. João II (1481–1495), momento em que a arquitetura militar se afirma como instrumento essencial de uma estratégia global de controlo territorial e marítimo, ligada à Expansão Portuguesa e ao princípio do mare clausum.[22] A fundação do Castelo de São Jorge da Mina (1482–1486) representou o apogeu desta nova orientação estratégica e tecnológica. Trata-se de uma fortificação de conceção avançada, organizada em torno de um bloco central quadrangular, dotado de torres circulares acasamatadas e uma torre principal que se projetava em ressalto para permitir o tiro lateral de defesa da porta, antecipando o princípio da defesa mútua.[23]

Esta mutação estratégica teve o seu génese na rápida compreensão, por parte dos portugueses, do poder da artilharia naval moderna. A racionalização do uso de fogo a bordo — que incluiu o pioneirismo no carregamento das peças pela retaguarda e o uso de câmaras múltiplas — proporcionou um rendimento de tiro sem precedentes que seria transposto para a arquitetura terrestre. Sob D. João II, a artilharia deixou de ser um complemento para se tornar o eixo do projeto defensivo; o rei foi o primeiro a equipar pequenas caravelas com bombardas grossas que disparavam 'rasteiras', uma lógica de tiro flanqueante e rasante que influenciou diretamente a adoção de baluartes e sistemas de 'forte costeiro' aplicados mesmo no interior do Reino. Esta cultura técnica permitiu que fortificações como as de Castro Marim ou a própria Torre de Belém funcionassem como extensões de uma armada artilhada, onde o desenho das escarpas e a disposição das bombardeiras visavam replicar em terra a eficácia das baterias flutuantes da expansão.

A tipologia adotada na Mina — um forte costeiro de planta regular reforçado por torreões angulares e barbacãs — revela uma adaptação rigorosa às exigências balísticas, funcionando como modelo para fortificações como Castro Marim (1504), Sofala (1505) ou Malaca (1511). Sob o reinado de D. Manuel I, estas inovações consolidaram-se com torres e cubelos rebaixados, o uso do alambor e o emprego de tijolo nas canhoeiras pela sua capacidade de absorver impactos.[24]

A transição consolidou-se no século XVI com o inventário de Duarte de Armas (1509), onde mais de metade das 57 praças desenhadas já apresentava troneiras, confirmando uma 'revolução' técnica. Mais tarde, no século XVII, figuras como Nicolau de Langres, engenheiro francês recrutado em 1644, trouxeram a influência de Lassart e Vauban para a raia alentejana. O seu projeto para Vila Viçosa — um 'Castelo Artilheiro' com sete baluartes e quatro meio-baluartes — é considerado um exemplar anunciador da moderna arquitetura militar, possivelmente influenciado por desenhos de Leonardo da Vinci (c. 1490).[25]

Era moderna e a fortificação de traçado italiano

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As altas muralhas medievais tornaram-se obsoletas com o uso generalizado do canhão no século XV. Este avanço tecnológico forçou a evolução para estruturas mais baixas e maciças, capazes de absorver o impacto cinético da artilharia através de aterros internos. Surgiu assim a fortificação de traçado italiano, ou trace italienne, onde o baluarte pentagonal eliminava os ângulos mortos e permitia o fogo flanqueado de cobertura.[26] Este modelo atingiu o seu expoente máximo em cidades-fortaleza de planta estrelada, como Palmanova em Itália ou Elvas em Portugal, sendo esta última um dos maiores sistemas abaluartados do mundo.

Paralelamente ao modelo italiano, consolidou-se no século XVII o Antigo Sistema Holandês (Oud-Nederlands Vestingstelsel). Devido à escassez de pedra e ao solo argiloso dos Países Baixos, engenheiros como Simon Stevin (1548–1620) priorizaram o uso de terraplenagens e fossos inundados. A principal característica técnica deste sistema era a geometria de bastiões com flancos retos posicionados de forma perpendicular à cortina, eliminando ângulos mortos.[27]

No início do século XVII, o engenheiro francês Blaise François Pagan formulou métodos geométricos para o desenho de baluartes, ciência refinada por Sébastien Le Prestre de Vauban. No reinado de D. João V, a engenharia militar consolidou-se sob métricas rigorosas: as faces do baluarte não deviam exceder trezentos pés; os flancos deviam medir entre cem e cento e oitenta pés para garantir o alcance do tiro de mosquete.[28]

O contributo lusitano para a arquitetura militar moderna pode ser considerado originário da experiência acumulada com a artilharia naval e a necessidade de defender as costas. Sob o comando de D. João II, a defesa passiva do Reino integrou uma linha de cruzamento de fogos entre fortalezas e meios marítimos, como as torres de Cascais e Caparica (1494), onde a entrada do Tejo era defendida por uma enorme nau ancorada — a maior e mais armada que nunca se vira — funcionando como um castelo flutuante de novo tipo.[29]

Evolução entre os séculos XVI e XVIII

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Plano de Genebra em 1841. As colossais fortificações, entre as mais importantes da Europa, foram demolidas dez anos depois.
Fortaleza abaluartada de Olomouc (c. 1757), no Margraviato da Morávia (atual República Checa).
Forte "Benedit" da Fortaleza de Cracóvia, exemplo de transição para o sistema de torres defensivas.

Tanto em Espanha como em Portugal, as fortificações situadas na orla costeira preservaram a sua relevância e domínio face aos castelos da zona fronteiriça (raia). Isto deveu-se ao facto de, no litoral, a ameaça ser constante, proveniente de incursões de armadas, piratas e navios de nações rivais, designadamente ingleses, franceses e holandeses. O investimento militar seguiu as diretrizes estabelecidas na Idade Média, focando-se no controlo estratégico das bacias dos rios Lima, Douro, Mondego, Tejo e Sado. Estas regiões foram profundamente marcadas pela construção de centros muralhados sob a égide do poder real e das Ordens Militares (Templo, Santiago, Cristo e São João de Jerusalém).[30]

Além da modernização de baluartes já existentes em pontos-chave, como a Cidadela de Peniche ou a Fortaleza de São Julião da Barra (Oeiras), surgiram novas construções edificadas de raiz. Exemplos notáveis incluem o Forte de São Filipe, em Setúbal, e o Forte de São Lourenço do Bugio, situado na pequena ilhota da Cabeça Seca, em pleno estuário do Tejo.[30]

Ainda que o sistema de vigilância costeira fosse anterior, a subida ao trono da Casa de Bragança em 1640 (Guerra da Restauração) marcou o início de uma vasta campanha de construções abaluartadas. O objetivo era consolidar a proteção de toda a costa, cobrindo inclusive zonas isoladas onde o desembarque de exércitos invasores fosse facilitado. Esta reestruturação estratégica resultou num conjunto monumental de fortes e cidadelas durante os séculos XVII e XVIII, um esforço sem precedentes que se estendeu de Portugal continental até aos territórios do Ultramar, como o Brasil, África e o Oriente. A missão primordial desta linha era impedir o desembarque inimigo, estendendo-se desde a praça-forte de Caminha até Castro Marim. Caminha, embora tenha perdido grande parte do seu castelo medieval (conhecido pelos desenhos de Duarte d'Armas em 1510), conserva a Porta da Torre do Relógio.[30]

A arquitetura das fortalezas exigiu profundas adaptações estruturais. Para proteger as muralhas contra as balas de canhão, estas passaram a ser construídas com maior espessura e a sua parte superior arredondada. A base passou a ser protegida por fossos mais profundos e largos, utilizando-se o excedente de terra para criar o glacis além da contraescarpa. No interior, foram instalados banquetes para a infantaria e o valgango para a movimentação da artilharia.[31]

As fortalezas abaluartadas eram extremamente dispendiosas, levando à improvisação a partir de defesas anteriores, onde muralhas medievais eram rebaixadas e preenchidas com terra.[32] A partir da década de 1520, os engenheiros construiriam enormes taludes de terra de inclinação suave, chamados de glacis, em frente aos fossos, de modo a que as muralhas ficassem quase totalmente ocultas do fogo de artilharia horizontal.[33] O principal benefício do glacis era impedir que a artilharia inimiga disparasse à queima-roupa.[34]

Edificada sobre as falésias, o Forte de Peniche foi crucial devido à sua proximidade com eixos que ligavam aos principais centros do reino (como Óbidos e Lisboa). Reforçada por D. Manuel I e consolidada durante a Guerra da Restauração, possui baluartes, revelins e o icónico Baluarte Redondo. Já o Forte de São João Batista das Berlengas, erguido no local de um antigo mosteiro de monges jerónimos, foi construído para travar os ataques de corsários que assolavam a região.[30]

Este modelo de engenharia militar atingiu um dos seus expoentes máximos na Praça-Forte de Valença, edificada entre a segunda metade do século XVII e a primeira do século XVIII. Juntamente com as praças de Viana, Caminha e Monção, esta estrutura constituiu um dos quatro pilares da defesa do noroeste português, sendo descrita como uma "verdadeira vitrina dos recursos bélicos do País" face a Espanha [35]. O seu traçado abaluartado caracteriza-se por uma planta sofisticada composta por dois polígonos irregulares e quase tangentes: a Praça, que envolve o núcleo medieval da vila, e a Coroada, a sul, que tira o máximo proveito das condições topográficas da encosta [36].

As estruturas de Valença materializam as inovações técnicas da época, apresentando paramentos em talude com cunhais aparelhados e ângulos flanqueados por guaritas facetadas cobertas por cúpulas. O sistema defensivo é reforçado por fossos, contraescarpas em torrão e uma rede de cinco revelins estrategicamente posicionados. No interior das cortinas, destacam-se as portas com trânsitos abobadados e casamatas ladeadas por frestas de tiro, como a Porta da Gaviarra — que integra a cisterna e a antiga porta medieval — e a Porta da Coroada, que ostenta o brasão de D. João de Sousa e a inscrição datada de 1700 [35].

A sofisticação de Valença é ainda evidenciada pela introdução de elementos como a "tenalha à Vauban" em 1713, uma das primeiras referências documentadas em Portugal à influência do engenheiro francês num período em que predominava a Escola Holandesa de Fortificação [37]. Esta complexa rede de baluartes, falsas bragas e obras exteriores, dirigida por engenheiros como Miguel de Lescole e Manuel Pinto Vilalobos, consolidou Valença como uma praça de primeira ordem, complementada por fortins satélites como os de São Vicente e da Feitoria Velha [35].

Complementarmente, a Praça-Forte de Almeida destaca-se como um marco da engenharia militar, sendo o mais elevado esforço construtivo de uma praça portuguesa derivado da sua peculiar geometria. Com um perímetro muralhado de 4,5 km e cerca de 30.000 m² de alvenaria em granito, Almeida apresenta um traçado hexagonal quase regular, composto por seis baluartes e seis meias-luas (revelins), rodeados por uma cintura de fossos e um caminho coberto [38].

Considerada uma autêntica "máquina de guerra", Almeida possui mais de 100 canhoeiras e vastos paióis subterrâneos. A sua construção contou com o trabalho de meia centena de especialistas ao longo dos séculos, seguindo a tratadística militar europeia, com destaque para o Baluarte de S. João de Deus, que hoje acolhe o Museu Histórico Militar de Almeida e apresenta 20 compartimentos abobadados baseados no projeto de Manuel de Azevedo Fortes (1736) [39]. Atualmente, Almeida integra a Rota das Fortalezas Abaluartadas da Raia, juntamente com as praças-fortes de Elvas, Marvão e Valença, almejando o reconhecimento da UNESCO como Património Mundial, por representar o esforço secular de preservação da integridade nacional na fronteira mais antiga do mundo.

Era moderna e o traçado italiano

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As altas muralhas medievais tornaram-se obsoletas com o uso generalizado do canhão no século XV. Este avanço tecnológico forçou a evolução para estruturas mais baixas e maciças, capazes de absorver o impacto cinético da artilharia através de aterros internos. Surgiu assim a fortificação de traçado italiano, ou trace italienne, onde o baluarte pentagonal eliminava os ângulos mortos e permitia o fogo flanqueado de cobertura. [40] Este modelo atingiu o seu expoente máximo em cidades-fortaleza de planta estrelada, como Palmanova em Itália ou Elvas em Portugal, sendo esta última um dos maiores sistemas abaluartados do mundo.

Paralelamente ao modelo italiano, consolidou-se no século XVII o Antigo Sistema Holandês (Oud-Nederlands Vestingstelsel). Devido à escassez de pedra e ao solo argiloso dos Países Baixos, engenheiros como Simon Stevin (1548–1620) e Adam Freitag priorizaram o uso de terraplenagens e fossos inundados. A principal característica técnica deste sistema era a geometria de bastiões com flancos retos posicionados de forma perpendicular à cortina, garantindo que o fogo de artilharia varresse a face dos baluartes vizinhos e eliminasse ângulos mortos. [41]

No início do século XVII, o engenheiro francês Blaise François Pagan formulou métodos geométricos para o desenho de baluartes, ciência refinada por Sébastien Le Prestre de Vauban. No reinado de D. João V, a engenharia militar consolidou-se sob métricas rigorosas: as faces do baluarte não deviam exceder trezentos pés; os flancos deviam medir entre cem e cento e oitenta pés para garantir o alcance do tiro de mosquete.[42]

Um dos exemplos mais complexos desta evolução em território português é a Praça-Forte de Valença. A sua planta é composta por dois polígonos irregulares e quase tangentes: a coroada, constituída, a sul, por três baluartes e, a norte, por dois meios baluartes, desiguais, todos com duas linhas de defesa, e a praça, sensivelmente oval, constituída por sete baluartes poligonais desiguais, dispondo-se um em cada ângulo dos extremos e tendo ainda dois a nascente e um a poente, a maioria com falsas bragas. Ambos os polígonos são envolvidos por fossos e contraescarpa em torrão (areia com seixos do rio), cobertos por vegetação, e com caminhos cobertos, reforçados por cinco revelins, dois a sul da coroada, sendo um deles incompleto, um a poente da praça e dois outros na frente nascente da mesma, bem como por várias tenalhas. As estruturas apresentam paramentos em talude, com a escarpa exterior marcada por duas seções escalonadas, em cantaria irregular, disposta a seco, e cunhais aparelhados, terminados em cordão e parapeito com canhoneiras. Nos seus ângulos flanqueados, são coroados por guaritas facetadas assentes em mísulas molduradas, cobertas por cúpula facetada e bola sobre plinto.[43]

O contributo lusitano para a arquitetura militar moderna pode ser considerado originário da experiência acumulada com a artilharia naval e a necessidade de defender as costas. Sob o comando de D. João II, a defesa passiva do Reino integrou uma linha de cruzamento de fogos entre fortalezas e meios marítimos, como as torres de Cascais e Caparica (1494), onde a entrada do Tejo era defendida por uma enorme nau ancorada — a maior e mais armada que nunca se vira — funcionando como um castelo flutuante de novo tipo." [44]

Evolução entre os séculos XVI e XVIII

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A arquitetura das fortalezas exigiu profundas adaptações estruturais. Para proteger as muralhas contra as balas de canhão, estas passaram a ser construídas com maior espessura e a sua parte superior arredondada. A base passou a ser protegida por fossos mais profundos e largos, utilizando-se o excedente de terra para criar o glacis além da contraescarpa. No interior, foram instalados banquetes para a infantaria e o valgango para a movimentação da artilharia. [45]

As fortalezas abaluartadas eram extremamente dispendiosas, levando à improvisação a partir de defesas anteriores, onde muralhas medievais eram rebaixadas e preenchidas com terra. [46] Embora as fortificações de raiz tivessem frequentemente revestimento de tijolo, muitas defesas reduziam custos utilizando apenas terra. A partir da década de 1520, os engenheiros construíram enormes taludes de terra de inclinação suave, chamados de glacis, em frente aos fossos, de modo a que as muralhas ficassem quase totalmente ocultas do fogo de artilharia horizontal. [47] O principal benefício do glacis era impedir que a artilharia inimiga disparasse à queima-roupa. [48]

Trace italienne

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A primeira grande batalha que demonstrou a eficácia da trace italienne foi a defesa de Pisa em 1500, onde o talude de terra provou ser muito mais resistente do que a muralha de cortina. O segundo cerco memorável foi o de Pádua em 1509, onde Fra Giocondo mandou rebaixar a muralha medieval e rodeou-a com um largo fosso varrido por fogo flanqueado.

A expansão deste modelo para o contexto colonial gerou debates historiográficos. O Castelo da Boa Esperança (Cidade do Cabo), iniciado em 1666 por Pieter Dombaer, foi frequentemente atribuído por erro ao sistema de Vauban. Contudo, a análise técnica dos seus flancos retos e a ausência de oreillons (projeções curvas nos ombros dos bastiões para proteger a artilharia) confirma que a fortaleza segue o Antigo Sistema Holandês descrito por Samuel Marolois, e não a escola francesa contemporânea, que ainda não era influente em 1665. [49]

O novo tipo de fortificação retardou a expansão otomana no Mediterrâneo. Embora Rodes tenha sido conquistada em 1522, os otomanos falharam a tomada de Corfu em 1537 e 1716 devido às novas fortificações. Em Malta (1552), o Forte de Santo Elmo e o Forte de São Miguel desempenharam papéis críticos: Santo Elmo resistiu a um bombardeamento pesado por mais de um mês no cerco de 1565, garantindo tempo para a chegada de socorro da Sicília. Mesmo em 1799, Corfu manteve o seu valor estratégico quando uma aliança russa-otomana-inglesa a retomou dos franceses após um cerco de quatro meses. [50][51]

O segundo cerco memorável foi o de Pádua, em 1509. Fra Giocondo, um frei e engenheiro encarregado da defesa da cidade veneziana, mandou rebaixar a muralha medieval da cidade e rodeou-a com um largo fosso que podia ser varrido por fogo flanqueado, proveniente de canhoeiras posicionadas em projeções que se estendiam para o interior do fosso. Ao constatarem que o fogo dos seus canhões causava pouco impacto nestes reparos baixos, os sitiantes franceses e aliados realizaram vários assaltos sangrentos e infrutíferos, acabando por retirar-se.

Transição arquitetónica e a influência manuelina

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As torres medievais sofreram modificações para desempenharem o papel de estruturas de flanqueamento, permitindo o fogo ao longo das cortinas. Adotaram formas semicirculares, projetando-se para a frente com a gorja aberta. Estas estruturas ficaram conhecidas como rondéis ou baluartes circulares. Nelas, por vezes, localizavam-se casamatas para as bocas de fogo. Um dos principais teóricos desta transição foi Albrecht Dürer, que expôs as suas ideias na obra "Manual para a Fortificação de Cidades, Castelos e Desfiladeiros", publicada em 1527.

Nesta fase, sob a influência de mestres como Francisco de Arruda, a fortaleza portuguesa experimentou morfologias híbridas que rompiam com o modelo do castelo gótico. Segundo Mário Jorge Barroca, a principal inovação foi o surgimento dos bastiões ultra-semi-circulares, como os do Castelo de Portel em 1510, que permitiam o fogo flanqueado paralelo ao pano da muralha.[52] As áreas de tiro eram inicialmente concebidas como casamatas a céu aberto, como na Torre de Belém, surgindo apenas em 1531, na Torre de Évora Monte, sistemas eficazes de ventilação em espaços fechados. Outro elemento distintivo é o uso do alambor, uma escarpa inclinada na base das muralhas que reforçava a estrutura contra impactos e dificultava a escalada. O tijolo passou a ser utilizado nas molduras das canhoeiras por possuir uma capacidade de absorção de impacto superior à pedra de cantaria rígida.[52]

Diferente das torres circulares manuelinas, com a evolução para sistemas plenamente abaluartados, surgiu o oreillon (ou orelhão). Este elemento consiste numa projeção propositada no canto ou "ombro" do bastião, desenhada para ocultar e proteger as peças de artilharia posicionadas nos flancos contra o fogo direto inimigo, uma inovação que se tornaria padrão no Novo Sistema Holandês de Menno van Coehoorn.

Obras exteriores e defesas avançadas

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A eficácia de uma fortaleza abaluartada dependia de um sistema complexo de obras exteriores destinadas a retardar o inimigo e proteger o recinto principal. Estas estruturas eram desenhadas para serem dominadas pelo fogo das muralhas interiores caso fossem capturadas.

O elemento exterior fundamental era o revelim (ou meia-lua), uma obra isolada de planta triangular posicionada no fosso em frente à cortina. A sua função era proteger a cortina contra o fogo direto da artilharia inimiga e flanquear as faces dos baluartes adjacentes.[53] Junto a estas obras, destaca-se o redã (ou redan), uma pequena obra defensiva em formato de vê projetada para fora da linha principal para oferecer pontos avançados de observação e fogo flanqueante sobre áreas que estariam protegidas da linha de visão das muralhas principais.

Situada no fosso, imediatamente em frente à cortina, encontrava-se a tenalha. Era uma obra de baixa elevação destinada a fornecer uma plataforma de tiro rasante para a infantaria defender o fosso contra assaltos diretos.[42]

Para proteger subúrbios ou pontos fracos na topografia, utilizavam-se obras de maior escala denominadas hornaveques (obra em corno) e obras coroadas. O hornaveque consistia em dois meio-baluartes ligados por uma cortina. Quando a estrutura possuía um baluarte central e dois meio-baluartes nas extremidades, recebia o nome de coroada ou coronaveque[nota 1]. Estas estruturas eram ligadas ao corpo principal por muralhas paralelas chamadas braços.[54]

Na periferia extrema, para além do caminho coberto e do glacis, podiam ser construídas lunetas e contra-guardas. Todo este sistema era complementado por minas e contra-minas subterrâneas, galerias escavadas sob o glacis onde os defensores detonavam cargas explosivas sob as trincheiras dos atacantes.[52]

Papel estratégico e logístico

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Nas guerras dos finais do século XVII e XVIII, as fortalezas desempenharam um papel crucial logístico. A dependência dos exércitos em relação ao abastecimento a partir de armazéns militares tornava as fortalezas os locais mais seguros para o depósito de mantimentos. As campanhas militares desta época reduziam-se frequentemente a cercos sistemáticos conduzidos através da poliorcética.[55]

Seguia-se o método do cerco científico, formalizado por Vauban, que consistia em isolar a praça e avançar gradualmente as defesas do atacante através de trabalhos de terra e trincheiras. O primeiro passo era o investimento da praça, onde a cavalaria e a infantaria cercavam o perímetro. De seguida, construíam-se a linha de circunvalação, voltada para o exterior, e a linha de contravalação, voltada para a fortaleza.[54]

Para aproximar as tropas das muralhas, utilizava-se o sistema de paralelas. A primeira paralela servia como base de operações; a segunda abrigava as baterias de ricochete; e a terceira paralela era escavada junto ao sopé do glacis, de onde a infantaria podia fazer fogo sobre o caminho coberto.[54] Uma vez dominado o caminho coberto, o atacante instalava a bateria de brecha na crista do glacis para criar uma rampa de escombros praticável.[42]

Século XIX e a fortificação poligonal

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O advento das granadas explosivas e dos canhões de alma estriada no século XIX tornou as complexas fortificações abaluartadas extremamente vulneráveis ao tiro parabólico. Em resposta, os engenheiros militares desenvolveram a fortificação de base poligonal, um conceito promovido inicialmente por Marc-René de Montalembert. Este sistema privilegiava fossos profundos cortados diretamente na rocha, protegidos por casamatas e caponidreiras situadas no fundo do fosso, o que permitia um tiro rasante contra a infantaria inimiga.[56] O perfil do forte tornou-se quase invisível à distância, sendo rodeado por um glacis de terra que desviava os projéteis e negava cobertura aos atacantes. Durante este século, as potências europeias continuaram a utilizar versões simplificadas destas defesas em contextos coloniais, onde a superioridade tecnológica garantia a resistência de pequenas guarnições contra forças numericamente superiores.

Durante as Guerras Napoleônicas, o papel das fortalezas diminuiu drasticamente. Isso ocorreu, em primeiro lugar, porque os exércitos tornaram-se significativamente maiores, permitindo que os comandantes em ofensiva "mascarassem" as fortalezas inimigas na sua retaguarda, destacando apenas uma fração das tropas para observá-las enquanto o exército principal avançava para buscar a batalha decisiva.[57] Em segundo lugar, os exércitos passaram a obter suprimentos no território inimigo por meio de requisições, tornando-se menos dependentes dos armazéns logísticos estáticos situados dentro das cidades fortificadas.[58]

Esta mudança estratégica levou à conclusão de que as antigas fortalezas, compostas por uma única muralha fechada (recinto contínuo), eram insuficientes: não comportavam suprimentos para exércitos móveis, não ofereciam refúgio para grandes contingentes e eram incapazes de proteger a população e os depósitos urbanos contra o moderno bombardeio de artilharia.[59]

Surgiu, então, o conceito das fortalezas-acampamento. Nestas, o núcleo urbano era protegido por um anel de fortes destacados (fortes exteriores), posicionados a uma distância que impedia o inimigo de instalar sua artilharia perto o suficiente para bombardear o centro da cidade.[60] As primeiras surgiram na Alemanha, ao longo do Reno, a partir de 1816 (Mainz, Colônia, Coblença), seguidas por Paris (1841) e ÁustriaCracóvia (1846).

No entanto, na segunda metade do século XIX, a introdução da artilharia de alma estriada aumentou o alcance e a precisão do tiro. Durante o cerco de 1870, os fortes existentes já não eram suficientes para manter os canhões prussianos fora de alcance, o que forçou a construção de um segundo anel de fortes, ainda mais distante (cerca de 13 km do centro).[61]

A partir da década de 1880, a chamada "Crise da Granada de Alto Explosivo" (carregada com Ácido pícrico) revolucionou a construção militar. As estruturas tradicionais de tijolo e pedra desmoronavam sob o impacto desses novos projéteis, forçando a substituição por betão e betão armado.[62] Nesta fase final do século XIX, as inovações incluíram:

  • Cúpulas blindadas: Torres de aço para proteger a artilharia, muitas vezes retráteis (de eclipse).
  • Dispersão do fogo: As baterias foram retiradas dos fortes para posições abertas e camufladas, evitando que o forte fosse um alvo único.
  • Caponidreiras e Casamatas de Bourges: Estruturas de betão armado para flanqueamento dos fossos, protegidas do fogo direto inimigo.[63]
"Casamata de Bourges" em Épinal, projetada para fogo lateral protegido.

Na década de 1900, a engenharia alemã e austro-húngara avançou para o conceito de grupos fortificados ou Feste. Em vez de um único edifício, a defesa era distribuída: quartéis, baterias e posições de infantaria eram construções separadas, conectadas por túneis subterrâneos (poternas) e protegidas por densas redes de arame farpado.[64]

A Primeira Guerra Mundial provou que fortalezas isoladas eram vulneráveis ao cerco, mas, quando integradas a uma linha de suprimentos e exércitos de campo (como na Batalha de Verdun), tornavam-se o pilar da resistência. Após o conflito, a evolução final foi o abandono das fortalezas individuais em favor das regiões fortificadas contínuas, exemplificadas pela Linha Maginot.[65]

Séculos XX e XXI e a Era dos Bunkers

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A Primeira Guerra Mundial demonstrou que as fortificações permanentes de betão armado podiam ser destruídas por artilharia super-pesada, como os morteiros alemães de 42 cm. [66] No período entre guerras, a França construiu a Linha Maginot, um sistema de defesa em profundidade com túneis subterrâneos e torres retráteis. Embora tecnicamente avançada, a sua eficácia foi limitada pela guerra de movimento e pela capacidade alemã de contornar a linha através da Bélgica.[67] Na Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento de bombas de alta penetração, as chamadas bunker busters como a Tallboy, eliminou a segurança das estruturas de superfície. [68] Na era contemporânea, as fortificações militares tornaram-se essencialmente subterrâneas, como o complexo do NORAD no Monte Cheyenne, ou assumiram a forma de zonas desmilitarizadas, como a que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul, funcionando como barreiras passivas de alta vigilância.[69]

Espécies, tipos e classes

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Na arte militar, existia uma divisão das fortalezas por espécies, tipos e classes:

  • Fortaleza terrestre — complexo de estruturas defensivas para a proteção de algum território, objeto militarmente importante (cidade, entroncamento rodoviário, travessia de rio ou desfiladeiro);
  • Fortaleza marítima — complexo de estruturas de defesa costeira para a proteção do litoral, da zona marítima e do porto;
  • Fortaleza costeira;
  • Fortaleza insular;
  • Fortaleza de fortes (ou Praça-forte de cintura de fortes);
  • Fortaleza de I (1.ª) classe (fortaleza de primeira ordem);
  • Fortaleza de II (2.ª) classe (fortaleza de segunda ordem);
  • Fortaleza de III (3.ª) classe (fortaleza de terceira ordem);
  • Fortaleza-depósito;
  • e assim por diante.

Fortificações de Vauban

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As Fortificações de Vauban constituem um Patrimônio Mundial da UNESCO composto por 12 grupos de edifícios e sítios fortificados ao longo das fronteiras da França. Foram projetados pelo arquiteto militar Sébastien Le Prestre de Vauban (1633–1707) durante o reinado do rei Luís XIV.

Estes locais incluem uma grande variedade de estruturas, desde cidadelas, baterias de montanha e fortificações marítimas, até muralhas com baluartes e torres. Além disso, o sítio abrange cidades construídas do zero por Vauban e torres de comunicação.[70]

Estes locais foram selecionados por exemplificarem a obra de Vauban, testemunhando a influência dos seus projetos na engenharia militar e civil a uma escala global, do século XVII ao século XX.[70]===Cidadela de Vauban, Arras===

A Cidadela de Vauban, localizada em Arras (Pas-de-Calais), foi construída por Vauban entre 1667 e 1672. A cidadela foi apelidada pelos residentes de La belle inutile (a bela inútil), uma vez que nunca esteve diretamente envolvida em combates pesados e, em última análise, não conseguiu impedir os alemães de ocupar a cidade em nenhuma das Guerras Mundiais. No interior da cidadela, ao lado da Place de Manœuvre, foi construída uma pequena capela em estilo barroco. No exterior, o Mur des Fusillés (o muro dos fuzilados) presta homenagem aos 218 membros da Resistência Francesa fuzilados no fosso da cidadela durante a Segunda Guerra Mundial.[71]

Cidadela de Besançon

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A Cidadela de Besançon, em Besançon (Doubs), é considerada uma das melhores obras de arquitetura militar de Vauban. A cidadela ocupa 11 hectares no Monte Saint-Etienne, uma das sete colinas que protegem Besançon, a capital de Franco-Condado. O Monte Saint-Etienne ocupa o "gargalo" de um meandro formado pelo rio Doubs, conferindo ao local uma importância estratégica que Júlio César já reconhecia em 58 a.C. A cidadela, construída entre 1668 e 1683, domina o bairro antigo da cidade e a curva do rio. É edificada sobre um grande sinclinal num campo retangular atravessado em sua largura por três bastiões sucessivos (recintos ou frentes), atrás dos quais se estendem três praças.[71] Toda a cidade é cercada por muralhas cobertas por caminhos de ronda e pontuadas por torres de vigia e postos de sentinela. As muralhas têm entre 15 a 20 metros de altura com uma espessura entre 5 e 6 metros. Também incluído neste sítio está o Forte Griffon, construído entre 1680 e 1684.[71]

Sítios em Blaye-Cussac-Fort-Médoc

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A cidadela de Blaye, as muralhas da cidade, o Forte Paté e o Forte Médoc localizam-se em Blaye-Cussac-Fort-Médoc (Gironda). A cidadela de Blaye foi construída entre 1686 e 1689, e os vizinhos Forte Paté e Forte Médoc foram erguidos entre 1689 e 1700. A justaposição destes três sítios através do estuário do Gironda ajudava a proteger Bordéus em caso de uma possível invasão marítima.[71]

Briançon, Altos Alpes

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Este sítio, localizado em Briançon (Altos Alpes), contém uma muralha urbana, quatro fortes (incluindo o Forte dos Três Cabeças e o Forte do Randouillet), a Redoute des Salettes, a ouvrage de la communication Y, bem como a Ponte Asfeld.[71] A muralha medieval da cidade foi reconstruída por Vauban entre 1692 e 1700, os fortes foram construídos segundo as suas especificações entre 1709 e 1732, a torre de comunicações entre 1724 e 1734, e a Ponte Asfeld entre 1729 e 1731.[71]

Tour Vauban

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A Tour Vauban, também conhecida como Tour dorée (Torre Dourada), fica em Camaret-sur-Mer (Finisterra). É uma torre defensiva poligonal de 18 metros de altura, construída entre 1693 e 1695 com base num plano de Vauban no Sillon em Camaret-sur-Mer, como parte das fortificações do estreito de Brest. Possui três níveis e é flanqueada por muralhas, um corpo de guarda e uma bateria de artilharia com capacidade para 11 canhões, além de uma fundição de balas de canhão adicionada no período da Revolução Francesa.[71]

Ville neuve, Longwy

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A ville neuve (cidade nova) localiza-se em Longwy (Meurthe-et-Moselle). Toda a cidade nova foi projetada e construída por Vauban a partir de 1679. Possui uma forma hexagonal com um traçado regular em torno de uma praça de armas quadrada e flanqueada por bastiões. Embora a cidade tenha sido destruída em grande parte devido a sucessivos cercos, muitos elementos da arquitetura militar ainda permanecem.[71]

Praça-forte, Mont-Dauphin

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O sítio da place forte localiza-se em Mont-Dauphin (Altos Alpes). Construído em 1692 por Vauban no topo de um planalto, segue um plano ortogonal e contém vários edifícios militares datados dos séculos XVI a XVIII.[71]

Cidadela e muralhas, Mont-Louis

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A cidadela e as muralhas de Mont-Louis localizam-se em Mont-Louis (Pirenéus Orientais). Foram construídas em 1679 para facilitar as passagens fronteiriças com a Espanha e contêm uma cidadela quadrada e muralhas urbanas fortificadas com 25 postos de sentinela.[71]

Ville neuve, Neuf-Brisach

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A ville neuve em Neuf-Brisach (Alto Reno) situa-se perto da fronteira alemã. Construída do zero entre 1698 e 1703, é uma das últimas obras de Vauban, destinada a guardar a fronteira com a Alemanha (então o Sacro Império Romano-Germânico). É o único exemplo do "terceiro sistema fortificado" de Vauban, com uma muralha dupla.[71]

Cidadela e muralhas, Saint-Martin-de-Ré

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Uma cidadela e muralhas urbanas projetadas por Vauban entre 1681 e 1685 localizam-se em Saint-Martin-de-Ré (Charente-Maritime). A cidadela, rodeada por seis bastiões e um fosso seco, foi construída em apenas 40 dias.[71]

Torres de vigia, Saint-Vaast-la-Hougue

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Duas torres de vigia projetadas por Vauban e seu aluno localizam-se na comuna de Saint-Vaast-la-Hougue (Mancha). Elas enfrentam-se através da baía de Saint-Vaast, com a torre mais alta, de dois andares, situada na ilha de Tatihou. Construídas em 1694, as torres têm uma forma cónica truncada e são cercadas por um forte abaluartado que abriga capelas, quartéis e paióis de pólvora.[71]

Sítios em Villefranche-de-Conflent

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O Forte Libéria, a Cova Bastera e as muralhas de Villefranche-de-Conflent (Pirenéus Orientais) também fazem parte do patrimônio mundial. As alterações de Vauban na muralha da cidade começaram em 1669, o Forte Libéria foi construído em 1679 e a Cova Bastera foi instalada após a morte de Vauban, em 1707.[71]

Dois sítios inicialmente considerados foram removidos da lista final: um castelo em Bazoches (Nièvre) e a cidadela e muralhas que rodeiam Le Palais em Belle-Île-en-Mer (Morbihan).

  1. A obra em corno (hornaveque) tem apenas uma frente composta por dois meio-baluartes e uma cortina; mas a obra coroada (coronaveque) tem duas, isto é, um baluarte inteiro no meio e dois meio-baluartes nas extremidades, o que lhe confere muito mais força e ocupação de terreno.

Elementos da fortaleza

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Obras exteriores

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Dispositivos de defesa

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Ver também

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Bibliografia

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Ligações externas

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Referências

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