Handala

Handala (em árabe: حنظلة, romanizado: Ḥanẓala), também Handhala, Hanzala ou Hanthala, é um importante símbolo nacional e personificação do povo palestino.[1][2]
O personagem foi criado em 1969 pelo cartunista político Naji al-Ali e assumiu sua forma definitiva em 1973. Handala tornou-se a assinatura dos cartuns de Naji al-Ali e permanece um símbolo icônico da identidade e resistência palestinas. O personagem foi descrito como "retratando a guerra, a resistência e a identidade palestina com uma clareza impressionante".[3]
O nome deriva do termo árabe "حنظل" (ḥanẓal), que se refere à colocíntida (ou "maçã amarga"), uma planta perene típica do Levante. Essa espécie é conhecida por seus frutos extremamente amargos, sua capacidade de rebrotar mesmo quando cortada e suas raízes profundas.[4]
A influência de Handala persistiu nas décadas após o assassinato de al-Ali em 1987; hoje o personagem permanece extremamente popular como representante do povo palestino, sendo encontrado em inúmeros muros e construções por toda a Cisjordânia (notavelmente como grafite no Muro da Cisjordânia), Faixa de Gaza e outros campos de refugiados palestinos, além de ser um motivo popular em tatuagens e joias. Também foi adotado por movimentos como o Boicote, Desinvestimento e Sanções e o Movimento Verde Iraniano.[4]
Primeira publicação
[editar | editar código]Handala apareceu pela primeira vez no jornal Al-Seyassah no Kuwait em 13 de julho de 1969,[1] e voltou-se de costas para o espectador com as mãos entrelaçadas atrás das costas a partir de 1973 em diante.[5]
Simbolismo
[editar | editar código]A idade de Handala – dez anos – representa a idade de Naji al-Ali em 1948, quando foi forçado a deixar a Palestina. O personagem só crescerá quando puder retornar à sua terra natal.[6] Nas palavras do próprio al-Ali:
Handala nasceu com 10 anos e sempre terá 10 anos. Foi nessa idade que deixei minha pátria. Quando Handala voltar, continuará com 10 anos – e só então começará a crescer.
A postura de Handala – de costas voltadas e mãos entrelaçadas atrás do corpo – simboliza sua "rejeição em uma época em que soluções nos são impostas à moda americana", representando também "um repúdio a todas as correntes negativas que assolam nossa região".[4] Suas roupas esfarrapadas e pés descalços reforçam sua identificação com os pobres e oprimidos.[4]
Nas palavras de Naji al-Ali, Handala transcende fronteiras:
Era a flecha da bússola, apontando invariavelmente para a Palestina. Não a Palestina geográfica, mas a Palestina em seu sentido humano – o símbolo de uma causa justa, esteja ela no Egito, no Vietnã ou na África do Sul.
Legado
[editar | editar código]Pouco antes de seu assassinato, Naji al-Ali declarou em uma entrevista: "Handala, que eu criei, não desaparecerá com minha morte. Espero não exagerar ao dizer que continuarei vivo através dele, mesmo depois de partir." Os usos atuais do símbolo de Handala incluem:
- Pichações e grafites em muros, edifícios e lojas de souvenirs por toda a Cisjordânia (com destaque para as artes no Muro da Cisjordânia), Faixa de Gaza e campos de refugiados palestinos;[4]
- Símbolo central do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS);[4]
- Símbolo popular em tatuagens e joias;[4]
- Mascote virtual do Movimento Verde Iraniano;[7]
- Presença na arte israelense, muitas vezes em contraste com o personagem Srulik.[8]
Galeria
[editar | editar código]-
O mural The Peace Kids, com Srulik em Florentin, Tel Aviv
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Handala em Iqrit
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Handala em um muro em Ni'lin
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Handala em um muro em Bil'in
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ a b Faber, Michel (10 de julho de 2009). «Pens and swords». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 16 de julho de 2025
- ↑ Struggle and Survival in Palestine/Israel 1 ed. [S.l.]: University of California Press. 2012. Consultado em 16 de julho de 2025
- ↑ Gandolfo, K. Luisa (1 de janeiro de 2010). «Representations of Conflict: Images of War, Resistance, and Identity in Palestinian Art». Radical History Review (106): 47–69. ISSN 0163-6545. doi:10.1215/01636545-2009-020. Consultado em 16 de julho de 2025
- ↑ a b c d e f g Fayeq, Oweis (5 de julho de 2009). «Handala and the Cartoons of Naji al-Ali». oweis (em inglês). Consultado em 16 de julho de 2025
- ↑ Ashley, John; Jayousi, Nedal. «Discourse, Culture, and Education in the Israeli-Palestinian Conflict 49 The Connection between Palestinian Culture and the Conflict» (PDF). Netanya Academic Centre. Consultado em 17 de setembro de 2014
- ↑ Al-Ali, Naji (23 de junho de 2009). A Child in Palestine: The Cartoons of Naji al-Ali (em inglês). [S.l.]: Verso Books. Consultado em 16 de julho de 2025
- ↑ «QODS DAY: Protesters Transform Jerusalem Day Into Iran Day». HuffPost (em inglês). 18 de novembro de 2009. Consultado em 16 de julho de 2025
- ↑ «Guest Columnist: Srulik, meet Handala | The Jerusalem Post». The Jerusalem Post | JPost.com (em inglês). 7 de janeiro de 2011. Consultado em 16 de julho de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- Singh, Ashutosh (1 de outubro de 2019). «Time and Waiting: The Fulcrum of Palestinian Identity». Arab Studies Quarterly. 41 (4). doi:10.13169/arabstudquar.41.4.0317

- Oweis, Fayeq (5 de julho de 2009). «Handala and the Cartoons of Naji al-Ali: Political Cartoons in the Middle East»
- Olin, Margaret (2019). «How Long Will Handala Wait? A Ten-Year-Old Barefoot Refugee Child on Palestinian Walls». Timescapes of Waiting. [S.l.: s.n.] pp. 176–197. ISBN 978-90-04-40712-1. doi:10.1163/9789004407121_012
- Habashi, Janette (2017). «The Evolvement of National Identity: A Never-Ending Process». Political Socialization of Youth. [S.l.: s.n.] pp. 151–175. ISBN 978-1-137-47522-0. doi:10.1057/978-1-137-47523-7_8
- Gandolfo, K. Luisa (1 de janeiro de 2010). «Representations of Conflict». Radical History Review. 2010 (106): 47–69. doi:10.1215/01636545-2009-020
- Woźniak, Marta (2014). «Mirror, Mirror on the Wall: Polititcal Cartoons of the Arab Spring». Hemispheres. Studies on Cultures and Societies. 29 (2): 79–97