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Neotrygon picta

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaNeotrygon picta

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Cordados
Classe: Chondrichthyes
Subclasse: Elasmobrânquios
Ordem: Myliobatiformes
Família: Dasiatídeos
Género: Neotrygon [en]
Espécie: N. picta
Nome binomial
Neotrygon picta
Last [en] & W. T. White [en], 2008
Distribuição geográfica
Área de ocorrência da raia-de-Pintas-Finas[2]
Área de ocorrência da raia-de-Pintas-Finas[2]

A raia-de-pintas-finas (Neotrygon picta) é uma espécie de raia da família Dasyatidae, encontrada em águas rasas ao largo do nordeste da Austrália. Esta raia pequena e de corpo fino atinge uma largura máxima de 32 cm. Possui um disco de barbatana peitoral em forma de diamante com uma fileira de pequenos espinhos ao longo da linha média, e uma cauda relativamente curta, em forma de chicote, com dobras de barbatana superior e inferior. Sua superfície superior tem um padrão de cor salpicado que consiste em manchas pretas e reticulações acastanhadas sobre um fundo amarelo-claro a marrom.

Preferindo habitats de fundo macio, a raia-de-pintas-finas é um predador bentônico que consome principalmente crustáceos (particularmente camarões carídeos) e vermes poliquetas. É vivíparo, com ninhadas de um a três filhotes. As fêmeas fornecem aos seus filhotes em desenvolvimento histotrofo ("leite uterino") durante a gestação. Embora a raia-de-pintas-finas seja uma captura acidental frequente da pesca de arrasto de fundo, ainda é comum e porções significativas de sua população parecem estar em águas não exploradas pela pesca. Como resultado, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a avaliou como pouco preocupante.

Taxonomia e filogenia

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Antigamente considerada uma variação de cor da raia-cacau [en] (Neotrygon leylandi), a raia-de-pintas-finas foi reconhecida como uma espécie distinta com base em dados moleculares coletados para o projeto Barcode of Life [en]. Foi descrita por Peter Last e William White em uma publicação de 2008 da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO). Seu relato foi baseado em 13 espécimes; destes, uma fêmea de 24 cm de largura capturada ao largo de Rockhampton [en], Queensland, foi designada como o holótipo. O epíteto específico picta é derivado do latim pictus ("pintado" ou "colorido").[3] A análise filogenética usando DNA mitocondrial e nuclear descobriu que as raias de-pintas-finas e cacau são espécies irmãs. Estima-se que as duas tenham divergido há c. de 10 Ma, durante o Mioceno.[4]

Descrição

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A raia-de-pintas-finas tem um disco de barbatana peitoral fino, em forma de diamante, aproximadamente 1,2 vezes mais largo do que longo, com margens dianteiras ligeiramente côncavas e cantos externos estreitamente arredondados. O focinho forma um ângulo obtuso e tem uma ponta pontiaguda. Os olhos pequenos e próximos são seguidos por espiráculos em forma de crescente. As narinas são alongadas e têm uma cortina de pele em forma de saia entre elas; a margem posterior da cortina é franjada e forma dois lobos. A boca pequena é rodeada por papilas [en] e apresenta sulcos proeminentes nos cantos. Existem duas papilas no assoalho da boca. Os dentes somam 33–38 fileiras na mandíbula superior e 31–40 fileiras na inferior; os dentes são pequenos e variam de pontiagudos a rombos. Os cinco pares de fendas branquiais têm forma de S. As barbatanas pélvicas são de tamanho médio e triangulares com cantos angulares.[2][3]

A cauda em forma de chicote mede 1,0–1,3 vezes o comprimento do disco e possui espinhos finos e venenosos na superfície superior; as raias menores geralmente têm um espinho, as maiores, dois. A cauda é moderadamente larga e achatada na base, tornando-se muito fina atrás do espinho. Ambas as dobras de barbatana superior e inferior estão presentes após o espinho, com a dobra superior sendo mais curta que a inferior. Existem até 22 pequenos espinhos próximos ao longo da linha média das costas, atrás dos espiráculos; de resto, a pele é maioritariamente lisa. Esta espécie é de cor amarelo-claro a marrom por cima, com um padrão reticulado mais escuro que pode variar de fraco a óbvio, tudo sobreposto por numerosas manchas pretas. Como outras espécies de Neotrygon, há uma marca escura sobre os olhos que se assemelha a uma máscara. A cauda tem um padrão de selas ou faixas atrás do espinho; a ponta é branca e a dobra da barbatana ventral escurece para quase preto posteriormente. A parte inferior é branca lisa.[2][3] Esta espécie atinge 32 cm de largura.[1]

Distribuição e habitat

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A área de ocorrência da raia-de-pintas-finas estende-se ao longo da costa do nordeste da Austrália, desde pelo menos as ilhas Wessel [en], ao largo do território do Norte, até a baía de Hervey [en], em Queensland; o limite oeste de sua área é incerto. Pode também ser encontrada ao largo da Nova Guiné, embora isso não seja confirmado.[2] Esta espécie é extremamente comum em algumas áreas, como o golfo de Carpentaria.[1] Um peixe bentônico, é geralmente encontrado na plataforma continental interna em águas com menos de 25 m de profundidade, mas pode ocorrer até 100 m.[1] Favorece habitats com substrato arenoso ou outro substrato fino.[5]

Biologia e ecologia

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A raia-de-pintas-finas prefere pegar presas da superfície do substrato, em oposição a cavar por elas. Camarões carídeos são de longe a fonte de alimento mais importante. Também consome vermes poliquetas e anfípodes, e raramente camarões peneídeos, moluscos e pequenos peixes ósseos. Em comparação com raias menores, as maiores têm uma dieta mais variada que incorpora uma maior proporção de vermes poliquetas.[1][5]

A reprodução na raia-de-pintas-finas é vivípara; como outras raias, os embriões em desenvolvimento são inicialmente nutridos pelo vitelo e, posteriormente, pelo histotrofo ("leite uterino") fornecido pela mãe. As fêmeas maduras têm um único ovário e útero funcionais, do lado esquerdo.[6] As fêmeas dão à luz ninhadas de um a três filhotes, provavelmente uma vez por ano.[1] Os recém-nascidos medem de 9 a 11 cm de largura.[3] Machos e fêmeas atingem a maturidade sexual com cerca de 17 e 18 cm de largura, respectivamente. A expectativa máxima de vida é de pelo menos 11 anos para os machos e 18 anos para as fêmeas.[6]

Interações humanas

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A raia-de-pintas-finas não tem valor econômico e é descartada pelas pescarias. É frequentemente capturada incidentalmente em redes de arrasto de fundo e, devido ao seu pequeno tamanho, não se beneficia dos dispositivos de exclusão de tartarugas [en]. Em particular, esta espécie representa aproximadamente 4,5% da captura total da pesca de camarão do norte (NPF) no golfo de Carpentaria. Mais da metade das raias capturadas pela NPF, incluindo quase todos os machos, morrem esmagadas dentro da rede de arrasto. Apesar dessa mortalidade, não se acredita que a NPF tenha afetado negativamente a população local, porque sua área de operação não inclui as águas onde esta espécie é mais abundante. A raia-de-pintas-finas também é capturada com frequência em redes de arrasto de vieiras operadas pela pesca de arrasto da costa leste de Queensland. Em outras partes de sua área de ocorrência, a pressão da pesca é relativamente leve devido a fatores externos, como os preços dos combustíveis. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) listou esta espécie como pouco preocupante, porque permanece comum e sua área de ocorrência inclui várias áreas marinhas protegidas.[1]

Referências

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  1. a b c d e f g Pierce, S.J.; White, W.T.; Jacobsen, I.P.; Barratt, P.J.; Last, P.R.; Kyne, P.M. (2015). «Neotrygon picta». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2015: e.T195464A68636975. doi:10.2305/IUCN.UK.2015-4.RLTS.T195464A68636975.enAcessível livremente. Consultado em 12 de Novembro de 2021 
  2. a b c d Last, PR; Stevens, JD (2009). Sharks and Rays of Australia second ed. [S.l.]: Harvard University Press. pp. 454–455. ISBN 978-0-674-03411-2 
  3. a b c d Last, P.R.; White, W.T. (2008). «Resurrection of the genus Neotrygon Castelnau (Myliobatoidei: Dasyatidae) with the description of Neotrygon picta sp. nov., a new species from northern Australia». In: Last, P.R.; White, W.T.; Pogonoski, J.J. Descriptions of New Australian Chondrichthyans. Csiro Marine and Atmospheric Research Paper. [S.l.]: CSIRO Marine and Atmospheric Research. ISSN 1835-1476 
  4. Puckridge, M; Last, PR; White, WT; Andreakis, N (2012). «Phylogeography of the Indo-West Pacific maskrays (Dasyatidae, Neotrygon): a complex example of chondrichthyan radiation in the Cenozoic». Ecology and Evolution. 3 (2): 217–232. PMC 3586632Acessível livremente. PMID 23467194. doi:10.1002/ece3.448 
  5. a b Jacobsen, IP; Bennett, MB (2012). «Feeding ecology and dietary comparisons among three sympatric Neotrygon (Myliobatoidei: Dasyatidae) species». Journal of Fish Biology. 80 (5): 1580–1594. PMID 22497398. doi:10.1111/j.1095-8649.2011.03169.x 
  6. a b Jacobsen, IP; Bennett, MB (2010). «Age and growth of Neotrygon picta, Neotrygon annotata and Neotrygon kuhlii from north-east Australia, with notes on their reproductive biology». Journal of Fish Biology. 77 (10): 2405–2422. PMID 21155791. doi:10.1111/j.1095-8649.2010.02829.x