Geração X
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Geração X (ou coloquialmente no Brasil, Geração Coca-Cola, denominação derivada da música homônima da banda Legião Urbana) é a coorte demográfica que sucede os Baby Boomers e precede a Geração Y. Pesquisadores e a mídia popular frequentemente usam meados da década de 1960 como o período inicial de nascimento e o final da década de 1970 até o início da década de 1980 como o período final de nascimento, sendo a geração geralmente definida como pessoas nascidas entre 1965 e 1980.[1][2][3][4][5] A maioria das pessoas da Geração X são filhos da Geração Silenciosa[6][7] e dos Baby Boomers mais velhos,[7][8] e muitos são pais da Geração Z.
Durante as décadas de 1970, 1980 e início de 1990, época de mudanças nos valores sociais, a Geração X era por vezes chamada de "Geração da Chave na Porta" nos Estados Unidos,[9] uma referência ao fato de regressarem da escola para uma casa vazia e utilizarem uma chave para entrar. Isto resultava do que é hoje conhecido como parentalidade com liberdade, do aumento das taxas de divórcio e da maior participação materna no mercado de trabalho, antes da ampla disponibilidade de opções de cuidados infantis fora de casa.
Como adolescentes e jovens adultos nas décadas de 1980 e 1990, a Geração X foi apelidada de "Geração MTV" (uma referência ao canal de videoclipes) e, por vezes, caracterizada como preguiçosa, cínica e desiludida. Entre as muitas influências culturais sobre a juventude da Geração X, destacou-se a proliferação de gêneros musicais com forte identidade sociocultural, como dance-pop, punk rock, hip-hop, heavy metal, rock alternativo, rave e grunge. O cinema também exerceu uma influência cultural notável, tanto pelo surgimento de mega-sequências de franquias quanto pela proliferação de filmes independentes (possibilitada, em parte, pelo vídeo). Os jogos eletrônicos, tanto em fliperamas quanto em aparelhos eletrônicos em residências ocidentais, também se tornaram uma parte importante do entretenimento juvenil pela primeira vez. Politicamente, a Geração X vivenciou os últimos dias do comunismo na União Soviética e nos países do Bloco Oriental da Europa Central e Oriental, testemunhando a transição para o capitalismo nessas regiões durante sua juventude. Em grande parte do mundo ocidental, um período semelhante foi definido pelo domínio do conservadorismo e da economia de livre mercado.
Em sua meia-idade, no início do século XXI, pesquisas descrevem a Geração X como ativa, feliz e com equilíbrio entre vida pessoal e profissional. De forma mais ampla, esse grupo também tem sido descrito como empreendedor e produtivo no ambiente de trabalho.

História da Geração X
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A expressão "Geração X" foi inventada pelo fotógrafo da Agência Magnum, Robert Capa, em 1950. Ele iria usá-la mais tarde como título de um ensaio fotográfico sobre homens e mulheres jovens que cresceram imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. O projeto emergiu em 1953 na revista britânica "Picture Post" e na estadunidense "Holiday". Descrevendo a sua intenção, Capa disse:
| “ | Nós nomeamos esta geração desconhecida como Geração X e, mesmo em nosso primeiro entusiasmo, percebemos que tínhamos algo muito maior do que os nossos talentos e bolsos poderiam lidar".[12] | ” |
O escritor John Ulrich explica:

| “ | Desde então, 'Geração X' sempre significou um grupo de jovens, aparentemente sem identidade, a enfrentar um incerto, mal definido, talvez hostil, futuro. Aparições posteriores do termo, em meados dos anos 1960 e meados de 1970, mudaram sua abrangência de geração global, atribuída por Capa, para conjuntos específicos de subculturas da juventude britânica, constituídos principalmente de homens brancos da classe trabalhadora, desde os mods e seus rivais rockers até a subcultura minecraft, mais abertamente contestadora.[13] | ” |
O termo foi usado por Jane Deverson em um estudo de 1964 a respeito da juventude britânica. Deverson foi convidada pela revista Woman's Own para entrevistar os adolescentes da época. O estudo revelou uma geração de adolescentes para quem era normal manter relações sexuais antes do casamento, que não acreditavam muito em Deus, que não gostavam da rainha Elizabeth II e não respeitavam os pais. Na época, ainda sequer havia sido cunhada a expressão "Geração Apática", ou Slacker generation, e o estudo foi considerado inadequado para a revista. Deverson, em uma tentativa de salvar sua pesquisa, trabalhou com o jornalista Charles Hamblett para criar um livro a partir do estudo. Hamblett decidiu nomeá-lo Geração X.[14]

O termo somente viria a ser popularizado pelo romance Geração X: contos para uma cultura acelerada (1991), do autor canadense Douglas Coupland, sobre os jovens do final dos anos 1980 e seu estilo de vida. Um artigo da revista 1989,[15] erroneamente, atribuiu a origem da expressão "Geração X" ao músico inglês Billy Idol. Na verdade, Idol havia sido membro da banda punk Generation X de 1976 a 1981. O nome da banda havia sido criado baseado no título do livro de Deverson e Hamblett, uma cópia do qual havia sido adquirida pela mãe de Idol.[16]
Smells Like Teen Spirit da banda de rock grunge Nirvana é considerado o hino da Geração X, sendo a música mais ouvida durante a época da geração.[17]
Nos Estados Unidos, Generation X originalmente referia-se ao nascidos durante o baby bust, expressão que designa a queda da taxa de natalidade após o baby boom ("explosão de bebês") do pós-Segunda Guerra Mundial.[18]
Brasil
[editar | editar código]Investigando o contexto brasileiro, as pesquisadoras Milhome e Rowe, da Universidade Federal da Bahia, identificaram os nascidos entre 1959 e 1968, que chegaram na idade adulta no final da ditadura militar brasileira e no contexto das Diretas Já, além de viverem as crises econômicas no fim da década de 1970 e começo da de 1980, como parte da geração Diretas.[19] Além disso, elas identificaram os nascidos entre 1969 e 1978, que chegaram na idade adulta na crise econômica pós-ditadura militar, viram o Plano Collor e seu impeachment, além da criação do Plano Real e suas primeiras consequências, como parte da geração Hiperinflação.[20]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Trend Magazine | How Are Generations Named?». trend.pewtrusts.org (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 30 de agosto de 2018
- ↑ «The Fed - Distribution: Distribution of Household Wealth in the U.S. since 1989». www.federalreserve.gov. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «Hate Gen X? Get in Line (Behind a Gen X-er).» (em inglês). 25 de agosto de 2023. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Hecht, Evan. «What years were Gen X born? See the age range for each generation.». USA TODAY (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Hecht, Evan. «What years were Gen X born? See the age range for each generation.». USA TODAY (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Howe, Neil; Strauss, William (16 de janeiro de 2009). Millennials Rising: The Next Great Generation (em inglês). [S.l.]: Knopf Doubleday Publishing Group. ISBN 978-0-307-55794-0. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ a b Gordinier, Jeff (2008). X saves the world : how Generation X got the shaft but can still keep everything from sucking. Internet Archive. [S.l.]: New York : Viking. ISBN 978-0-670-01858-1. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Howe, Neil; Strauss, William (1993). 13th gen : abort, retry, ignore, fail?. Internet Archive. [S.l.]: New York : Vintage Books. ISBN 978-0-679-74365-1. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ D.), Carolyn A. Martin (Ph; Tulgan, Bruce (2002). Managing the Generation Mix: From Collision to Collaboration (em inglês). [S.l.]: Human Resource Development. ISBN 978-0-87425-659-8. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «Cover Story: Inside the Heart and Mind of Nirvana: Nirvana : Rolling Stone». www.rollingstone.com. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 6 de março de 2010
- ↑ Brasiil, Jonas Heitich (6 de novembro de 2023). «"Smells Like Teen Spirit": A Música que Redefiniu uma Geração». Argonautha - Música e Cultura Pop. Consultado em 3 de dezembro de 2025
- ↑ GenXegesis: essays on alternative youth (sub)culture By John McAllister Ulrich, Andrea L. Harris p. 5.
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasUlrich - ↑ Asthana, Anushka & Thorpe, Vanessa. "Whatever happened to the original Generation X?". The Observer. January 23, 2005.
- ↑ Coupland, Doug. "Generation X." Vista, 1989.
- ↑ Generation X - A Punk History with Pictures
- ↑ Brasiil, Jonas Heitich (6 de novembro de 2023). «"Smells Like Teen Spirit": A Música que Redefiniu uma Geração». Argonautha - Música e Cultura Pop. Consultado em 3 de dezembro de 2025
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasEncyclopedia of Identity - ↑ Milhome 2022, pp. 65-66, geração Diretas.
- ↑ Milhome 2022, p. 66, geração Hiperinflação.
Bibliografia
[editar | editar código]- Milhome, Jaqueline Cavalcante (2022). Gerações Brasileiras (PDF). Uma proposta de classificação e de identificação dos valores pessoais e no trabalho (Tese). Salvador: Universidade Federal da Bahia. 164 páginas. Consultado em 8 de julho de 2024
| Precedido por Baby boomers |
Geração X 1965 - 1980[1] |
Sucedido por Geração Y |
- ↑ «Gerações X, Y, Z e Alfa: como cada uma se comporta e aprende». BEĨ Educação (em inglês). 9 de março de 2021. Consultado em 19 de agosto de 2022